segunda-feira, 13 de julho de 2026

PEPPINO DI CAPRI

Que lembrança espetacular. Assistir  Peppino di Capri no Canecão em meados dos anos 1970
Foi um privilégio de quem viveu o auge de uma das eras mais românticas e elegantes da nossa música e da noite carioca.

O Canecão, naquela época, era o templo máximo dos grandes espetáculos no Rio de Janeiro.

A disposição das mesas, as garrafas de cerveja ou uísque, a penumbra e aquela acústica grandiosa criavam o ambiente perfeito para casais. 

Sentar-se ali ao lado de alguém especial para ouvir clássicos italianos era a tradução perfeita de um encontro inesquecível.

Giuseppe Faiella, que o mundo conheceu como Peppino di Capri, nasceu na icônica ilha de Capri e trouxe no DNA a essência do lirismo napolitano. Mas o grande diferencial dele, que o transformou em um fenômeno mundial, foi a modernidade.

• A Revolução dos Anos 50 e 60: 
Peppino começou misturando o tradicional cancioneiro italiano com as batidas do Rock and Roll e do Twist americano. Ele e sua banda, I Rockers, eletrificaram a música italiana.

• O Rei de Sanremo: 
Ele se tornou uma lenda do Festival de Sanremo, o evento musical mais importante da Itália, vencendo o concurso em duas ocasiões (1973 com "Un grande amore e niente più" e 1976 com "Non lo faccio più").

• A Conexão com o Brasil: 
O Brasil sempre teve uma história de amor platônica e intensa com a música italiana.
 Nos anos 1970, essa febre estava no topo, muito impulsionada pelas trilhas sonoras das novelas. Peppino era presença constante no topo das paradas por aqui.

Na metade da década de 1970, Peppino di Capri estava justamente vivendo o ápice de sua fase mais melódica e madura. 

Se fechar os olhos, com certeza lembramos do impacto de canções que eram obrigatórias naquele repertório e que faziam todo mundo cantar junto ou dançar de rosto colado:

"Roberta" (1963)

Uma ode passional dedicada à sua primeira esposa. A introdução ao piano e o ápice dramático do refrão faziam o Canecão inteiro prender a respiração.

"Champagne" (1973)

Lançada pouco antes desse período, tornou-se o hino definitivo dos brindes e dos amores profundos (e às vezes melancólicos). É impossível pensar em Peppino di Capri sem ouvir o eco de "Champagne, per brindare a un incontro..."

"Un grande amore e niente più" (1973)

A música que deu a ele a vitória em Sanremo naquele ano e que embalava os corações apaixonados com sua cadência suave e letra extremamente romântica.


Esses shows no Rio de Janeiro não eram apenas apresentações musicais; eram eventos sociais, momentos de vestir a melhor roupa, compartilhar um bom momento e eternizar memórias ao som de um piano impecável e de uma voz rouca e calorosa que parecia falar direto com cada casal na plateia. 

Recordar passagens assim mostra como a boa música tem o poder de congelar o tempo.





"Estou planejando 69 loucuras para a nossa noite."

"Esse clima combina com o chá que eu vou te dar mais tarde."

"Você será meu lanchinho e “euketchup”."

"Louca para te mostrar a calcinha que estou usando."









Peppino di Capri faleceu recentemente em 11 de julho de 2026.