Que memória bonita e cheia de nostalgia.
Assistir Almir Sater em meados dos anos 1980, na sua própria Campo Grande, tem um gosto completamente diferente.
Naquela época, Almir já não era apenas uma promessa local, mas uma força da natureza da música sul-mato-grossense. Ele estava consolidando o som que misturava a tradição da viola caipira com o romantismo da fronteira, o chamamé e a sofisticação da MPB.
A Trajetória de Almir Sater
Nascido em Campo Grande, Almir Sater revolucionou a forma de tocar viola caipira de dez cordas. Ele pegou um instrumento historicamente associado ao interior mais puro e o levou para palcos urbanos com uma técnica impecável e dedilhados que parecem traduzir o ritmo e a imensidão do Pantanal.
• Início e Maturação: Nos anos 1970, trocou a faculdade de Direito no Rio pela dedicação total à música. Voltou ao Mato Grosso do Sul e ajudou a criar a identidade musical moderna da região.
• Anos 80 : Foi a década da grande afirmação. Álbuns como Estradeiro (1981), Dourado de Pó (1982) e Rasta Bonito (1989) traziam composições poéticas e harmonias suaves. Canções como "Sombra dos Meus Anos" e a antológica parceria com Renato Teixeira em "Tocando em Frente" marcaram essa era.
• Explosão Nacional: Nos anos 1990, sua popularidade ultrapassou todas as fronteiras ao estrelar novelas como Pantanal (1990) e A História de Ana Raio e Zé Trovão, tornando-se um ícone da cultura sertaneja de raiz e do imaginário popular brasileiro.
Imaginar essa noite em meados de 1980 em Campo Grande é resgatar um momento de pura poesia. Para quem morava na cidade, o show de Almir não era apenas uma apresentação musical; era um reencontro da cidade com sua própria alma.
A música dele cria uma atmosfera quase intimista por natureza. O dedilhado limpo da viola, o tom de voz manso e as letras contemplativas têm o poder de desacelerar o tempo
Estar ao lado da Rosana num ambiente desses, ouvindo clássicos do repertório sertanejo e pantaneiro ao vivo, certamente transformou a noite em uma lembrança afetiva inesquecível
São esses encontros simples — uma boa música, a pessoa certa e a atmosfera da própria cidade — que acabam marcando a nossa vida para sempre.
"Quero sentir sua boca na minha"
"Imagina eu gemendo no seu ouvido"
"Vem me fazer perder o juízo".

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